Manutenção em Tempos de Crise
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Manutenção em Tempos de Crise

O mundo empresarial vive um momento de incertezas e irracionalidade provenientes da crise de crédito que desestabilizou o sistema financeiro e promete afetar os planos de investimentos e conseqüentemente o crescimento econômico mundial. O mais sensato seria parar de investir, porém talvez não seja a medida mais coerente para um país como o Brasil, que apesar de sofrer com o impacto sistemático da crise, vive seu melhor momento econômico e tem agora a oportunidade de se estabelecer entre os países desenvolvidos. Por outro lado, é comum uma retração mesmo que até o momento, psicológica, visto que os efeitos na economia real não reflitam o pandemônio de quedas das bolsas de valores. Talvez o tema da vez seja investimento estratégico e prioridades em tempos de recessão.

Já não é novidade para os diretores de empresas a importância do papel da manutenção como aliado na redução de custos, garantia de qualidade da produção e visão geral da empresa. Em primeiro momento não se investia em manutenção por desconhecimento dos seus benefícios. Num segundo instante, o Brasil e o mundo vivenciaram um momento de apogeu econômico e muitas empresas ainda não se ativeram para a importância de tratar a manutenção como um fator estratégico para as suas pretensões. Talvez pelo fato de as perdas com a manutenção, embora críticas, não afetassem de forma drástica a lucratividade da empresa. Quem investiu nesta idéia colhe bons frutos e sem dúvida será um fator aliado em tempos de crise. Porém, empresas que ainda não se mobilizaram deverão se preparar com medidas que baixem seu custo operacional e que as tornem mais eficientes e competitivas.   

 

Olhando por uma perspectiva otimista, a humanidade, desde os seus primórdios, sempre foi obrigada a evoluir em tempos de escassez. Vários países como Japão e Alemanha usaram os tempos de dificuldades dos períodos pós-guerra como trampolim e divisor de águas para uma nova era de prosperidade e reavaliação cultural. Inclusive muitos teóricos atribuem o crescimento econômico do Japão aos seus investimentos em manutenção e qualidade. Investimentos estes, feitos em um período de “vacas magras”. Anos mais tarde, pôde-se observar os frutos destes investimentos. As empresas japonesas emergiram de forma extremamente competitiva, tirando por base o mercado automotivo. A Toyota tomou frente do mercado mundial e a Nissan ressurgiu apresentando lucratividade com seus programas de produção a baixo custo, só possíveis com investimentos no setor de manutenção. Um estudo publicado na IMPO Industrial Maintenance & Plant Operation concluiu que se os fabricantes de automóveis dos USA implementassem a eficiência na performance dos Japoneses em todas as suas plantas, os benefícios seriam gigantescos. Se a GM pudesse produzir veículos com a mesma eficiência da Nissan, por exemplo, ela poderia economizar US$925 por veículo ou US$ 5,3 bilhões em um ano; a Ford economizaria US$625 por veículo ou US$ 2,8 bilhões por ano e a Daymler Chrysler poderia economizar US$ 950 por veículo ou US$ 2,8 bilhões por ano.

Muitas empresas em dificuldades, na busca por redução de custos, fazem-no de forma irracional, simplesmente enxugando seus centros de custos de maneira indiscriminada, não projetando seus impactos a médio e longo prazo. Fazendo uma analogia ao jogo de xadrez, o empresariado está em xeque, em posição desconfortável e se quiser sobreviver, deverá tomar medidas estratégicas e para isso terá de analisar friamente o resultado das suas decisões. E isso só é possível com investimento em informação. Um software de gerenciamento de manutenção eficaz é o pilar para a aplicação de qualquer programa na área. E os custos com sua implementação podem ser menores do que se imagina. Principalmente se levado em conta seus benefícios. A experiência aponta que é possível, com um pouco de criatividade, implantar um programa de manutenção eficiente e com baixo custo.

Alguns argumentos plausíveis para se investir em informação:

  • É uma ferramenta com um custo muito baixo frente a seus benefícios;
  • Um PCM bem estruturado, apoiado por um software de gerenciamento da Manutenção, pode melhorar os resultados da manutenção em 25%;
  • No Brasil, estima-se que o gasto em manutenção no ano de 2007 foi de R$ 90.325.800,00, representado pelo percentual médio de 3,89% da relação entre o custo de manutenção e o faturamento bruto das empresas;
  • Nos Estados Unidos, mais de US$ 200 bi/ano vão para a manutenção dos ativos e as perdas causadas pela manutenção ineficaz chegam a US$ 60bi/ano;
  • A produtividade da mão de obra de manutenção está entre 25% e 32%, quando poderia atingir 50%;
  • A maioria das empresas nacionais não aplica as melhores práticas na Manutenção, apesar de conhecê-las e sua aplicação só é possível com uma ferramenta gerencial;
  • Em grande parte das empresas nacionais não há sistematização nas atividades da Manutenção e falta alinhamento com a estratégia da empresa.

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