Análise Preliminar de Risco (APR) na Manutenção + Checklist de APR

Profissionais da área de limpeza em altura, trabalhadores de refinarias, operadores de máquinas de corte, equipes da construção civil e da construção e reparos navais atuam diariamente expostos a atividades de alto risco. 

Quando esses riscos não são identificados e controlados da forma adequada, as consequências vão muito além de acidentes: envolvem afastamentos, paralisações operacionais, custos elevados, penalidades legais e danos à reputação da organização. Por isso, preocupar-se com ferramentas capazes de mitigar e até eliminar acidentes deixa de ser apenas uma boa prática e passa a ser uma necessidade estratégica. 

Nesse contexto, destaca-se a Análise Preliminar de Riscos (APR), um instrumento essencial para antecipar perigos, proteger vidas e garantir a continuidade segura das operações. 

Quando bem executada, a APR impacta positivamente não apenas a segurança, mas também a eficiência operacional e a sustentabilidade do negócio. Para entender mais sobre o assunto, continue conosco!

O que é Análise Preliminar de Risco (APR) e por que ela é essencial para prevenir acidentes?

A Análise Preliminar de Riscos (APR) é um documento que visa identificar os potenciais riscos de acidentes de uma atividade, permitindo antecipar perigos e reduzir impactos nos processos, nas pessoas e nos ambientes em caso de ocorrências.

De acordo com dados extraídos do Ministério da Previdência Social e do e-social, o Brasil registrou 724.228 acidentes de trabalho em 2024 com maior incidência nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Apesar de diversas normas regulamentadoras, acidentes de trabalho são mais recorrentes em atividades ligadas à construção civil, indústria, transporte e saúde. 

Porém, acidentes como quedas em altura, vazamentos químicos não são exclusividades do Brasil. A cidade de Nova York (USA), por exemplo, apresenta histórico de acidentes graves na área de construção civil, sendo a principal causa de morte em canteiros de obras, o que reforça a importância de identificar riscos antes do início das atividades.

Quais profissões e atividades exigem Análise Preliminar de Riscos (APR)?

No Brasil a APR é uma documentação necessária no setor de segurança de trabalho e obrigatória em diversos segmentos. As Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho especificam as principais diretrizes de segurança: 

  • NR-20: é direcionada a empresas que atuam com líquidos e gases inflamáveis. Para evitar explosões e incêndios, é importante realizar a análise preliminar de riscos. Os trabalhadores de refinarias, postos de combustíveis, motoristas de caminhão-tanque são exemplos de profissionais afetados em caso de acidentes. 
  • NR-12: regulamenta diretrizes para o cuidado e manuseio com máquinas industriais, visando à segurança dos trabalhadores que lidam com equipamentos de risco. Operadores de prensas, extrusoras, máquinas fabris são exemplos de profissionais suscetíveis a acidentes com máquinas industriais. 
  • NR-33: traz temas como objetivo e definição, responsabilidades, gestão de segurança e saúde, emergência e salvamento e disposições gerais necessárias para garantir a segurança e saúde de trabalhadores que atuam em espaços confinados. Trabalhadores que atuam em limpeza de túneis, escavações profundas ou ainda limpeza e manutenção em porões de navios são exemplos de profissionais afetados em caso de acidentes. 
  • NR-35: trata sobre o trabalho em altura. Dois pontos primordiais abordados nessa norma incluem entender a definição de trabalho em altura e a necessidade de realizar uma análise de riscos antes do início do trabalho. Montadores e desmontadores de estruturas, gaioleiros, soldadores, técnicos de torres, pedreiros, carpinteiros em obras de edifícios, são alguns exemplos de profissionais que trabalham em altura. 
  • NR-18: trata-se de uma norma setorial, ou seja, para setores ou atividades econômicas específicas. Após reformulações passou a ser regulamentada para a área de construção civil, devido ao alto índice de acidentes em canteiros de obra. Alguns profissionais da construção civil, engenheiros civis, arquitetos, mestres de obras, pedreiros, eletricistas, serventes etc. Todos eles são expostos diariamente a diversos riscos, portanto, se faz essencial documentar em APR as possíveis causas de acidentes. 

Por que a APR é fundamental nas atividades de manutenção?

Uma vez que o objetivo principal da APR é minimizar riscos de acidentes garantindo segurança aos colaboradores e ao meio ambiente,  torna-se uma estratégia fundamental nas atividades de manutenção. 

Ao desenvolver documentos de APR para as atividades de manutenção, sua organização se beneficiará com:

  • Prevenção de acidentes: os riscos de acidentes estão presentes também para os profissionais que executam manutenções, portanto, é importante fazer a análise preliminar dos riscos a que seus diferentes setores executantes estão sujeitos. Identificar potenciais riscos contribui para prevenção de acidentes
  • Redução de custos: ao desenvolver estratégias para eliminar ou mitigar acidentes, contribui diretamente para a redução de absenteísmo proveniente de afastamentos médicos por acidente de trabalho. Além do mais, tratamentos médicos, danos nos equipamentos, perda de produtividade são exemplos de alguns custos de responsabilidade das organizações em caso de acidentes.
  • Observância de normas de segurança: ao desenvolver APR para as atividades de manutenção, faz com que sua organização cumpra as normas regulamentadoras e consequentemente evite penalidades legais. 
  • Melhoria contínua: ao documentar a análise de riscos relacionados à manutenção, é possível obter insights valiosos para a melhoria nos processos operacionais. 
  • Gestão de reputação corporativa: certamente evitar incidentes que afetam negativamente a reputação de uma empresa é benéfico às organizações. Responsabilidade e compromisso com a segurança atraem aporte financeiro, melhores profissionais e sustentabilidade do negócio. 

Quem deve participar da elaboração da APR?

A elaboração da Análise Preliminar de Riscos (APR) deve envolver, obrigatoriamente, o setor de Segurança do Trabalho, composto por técnicos e engenheiros de segurança, uma vez que esses profissionais possuem conhecimento das Normas Regulamentadoras e experiência prática na identificação dos perigos e na avaliação dos riscos inerentes a cada atividade.

Além disso, a participação integrada de profissionais do SESMT (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho), membros da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), supervisores e gerentes da linha de produção, bem como da equipe de manutenção, é fundamental. 

Essa atuação multidisciplinar permite uma análise mais abrangente e assertiva, considerando tanto os aspectos técnicos quanto operacionais, contribuindo para a identificação adequada dos riscos, definição de medidas preventivas e promoção de um ambiente de trabalho mais seguro.

Quais riscos devem ser avaliados em uma APR de manutenção?

Cada ramo de atividade exige um processo sistemático para avaliar possíveis riscos na hora da manutenção.  Para melhor identificação listamos alguns riscos dividindo-os em três categorias: 

Categoria 1:  Riscos físicos

  • Quedas de peças, impacto de veículos podem causar riscos de esmagamentos.
  • Fiação elétrica exposta possibilita o risco de choque elétrico. 
  • Andaimes com folgas contribuem com o risco de queda em altura. 

Categoria 2: Riscos químicos e ambientais

  • Exposição a ambiente com vapores tóxicos e poeira; 
  • Possibilidade de contaminação da água e do solo;
  • Vazamento de líquidos inflamáveis;

São exemplos reais de riscos a que o time de manutenção está sujeito. Intoxicação, risco de explosão são acidentes gravíssimos. 

Categoria 3: Riscos ergonômicos e processuais

  • Falta de uso de EPIs ou uso incorreto; 
  • Falta de isolamento e bloqueio de fontes de energia (LOTO)
  • Posturas ergonômicas inadequadas ao executar uma manutenção são fatores de risco processuais e ergonômicos que podem causar acidentes ou debilitar a saúde dos manutenores

Qualquer atividade precisa ser avaliada minuciosamente, a fim de antecipar possíveis problemas que causam danos aos profissionais de manutenção, assim como aos demais funcionários e à infraestrutura da empresa em si. Utilizar métodos como Mapas de Riscos pode facilitar esta análise.  

Checklist de APR: como aplicar a Análise Preliminar de Risco na prática 

APRs genéricas que não trazem um direcionamento têm pouca valia, portanto, é importante pontuar quais processos de manutenção necessitam desse documento. Assim é bom validar: 

  • Quais atividades de manutenção têm maior índice de ocorrência de acidentes; 
  • Quais equipamentos são mais propícios de risco aos colaboradores e operadores; 
  • Quais os processos operacionais mais exigem instruções por escrito; 

Listamos alguns passos que podem ser úteis para te ajudar a desenvolver APRs na prática: 

Levantar requisitos

O primeiro passo para elaborar um APR na prática é identificar quais atividades serão avaliadas. Já sabemos que para defini-las é importante considerar as de maiores incidências, portanto, é recomendado alinhar com todos os envolvidos quais requisitos, processos ou áreas serão documentados. 

Exemplo: verificar requisitos de segurança dos colaboradores que fazem manutenção nos guindastes. 

Levantar dados

Coletar dados é o segundo passo importante ao elaborar sua APR. Informações como processos operacionais, manuais de fabricante, EPIs ideais ou histórico de acidentes ou incidentes anteriores precisam ser pontuadas durante o levantamento de dados. 

Para o exemplo da manutenção em guindastes, é importante que os profissionais que realizarão as atividades estejam cientes e sigam rigorosamente as normas NR-11 e NR–12. Nesse contexto, é importante que na documentação de APR, seja informado que somente profissionais com a certificação nas referidas normas regulamentadoras podem realizar a manutenção nos guindastes.

Identificar riscos

Esse passo é crucial, pois é o momento de entender os potenciais perigos associados a cada atividade de manutenção. 

Um profissional que precisa realizar a manutenção preventiva em um guindaste, por exemplo, está exposto a riscos como:

  • Riscos mecânicos como o esmagamento, cortes ou amputação de membros; 
  • Riscos de quedas em caso de manutenção das lanças e outras partes elevadas do guindaste; 
  • Riscos elétricos por falta de isolamento adequado; 

Avaliar riscos

Após identificá-los, é importante avaliar qual a probabilidade de algum risco converter em acidente. Seja um rompimento de um cabo, condições climáticas, etc. Por isso é tão importante manutenções preventivas e preditivas pois, ao realizar inspeções e fazer medições, evita riscos por falta de manutenção. 

Desenvolver medidas de controle

Para que as manutenções programadas aconteçam, é importante desenvolver medidas de controle, ou seja, definir quais os planos de manutenção serão realizados periodicamente, ou aqueles planos que serão feitos a partir de coletas de dados, seja uma análise de vibração, temperatura etc.

Além de definir os planos de manutenção, é importante realizar treinamento de equipe para manuseio correto do equipamento (seja ele operador ou manutentor). 

Um bom exemplo de medidas de controle é disponibilizar o uso de EPIs e promover o melhoramento de infraestrutura. Tudo deve ser feito para promover melhor uso dos equipamentos prezando a segurança de pessoal e do meio ambiente. 

Documentar as medidas de controle

Esse passo é de extrema importância! Ao desenvolver as medidas de controle, documente tudo. Utilize um software de manutenção para documentar e acompanhar a execução dos planos de manutenção. 

Tenha registros dos EPIs necessários em cada atividade. Documente detalhadamente as informações em sua APR e garanta que todos os envolvidos tenham acesso ao documento. 

Revisar e atualizar APR

Para melhoria contínua é preciso revisar sua APR e atualizá-la sempre que necessário. Revisite os passos e identifique o que foi proveitoso e o que não funcionou, realinhe, pois um detalhe negligenciado pode ser fatal. 

Veja nosso checklist de APR na prática:checklist-analise-preliminar-de-risco-apr

Como o Engeman® auxilia no controle de APR? 

O Engeman®, especialista em manutenção, é um forte aliado para seu controle de APR. 

Ao informar quais EPIs serão necessários para seu time de manutenção no levantamento de requisitos de sua APR, é possível controlar entrada e saída dos itens no controle de materiais do Engeman®, bem como registrar no cadastro de funcionário ou plano de manutenção quais são os EPIs obrigatórios para os riscos encontrados.  

O sistema Engeman® permite o cadastro de fornecedores e fabricantes, o vínculo de manuais operacionais e inserção de checklist de procedimentos obrigatórios ao realizar uma manutenção. 

Tais funcionalidades auxiliam na coleta de dados para identificar os riscos de acidentes que seus equipamentos podem causar. Para avaliar os riscos, conte com indicadores de manutenção disponíveis em nosso software através de gráficos e relatórios. 

A partir das ocorrências identificadas em uma manutenção corretiva ou detectiva, é possível identificar e avaliar os prováveis riscos de acidentes. 

Ao desenvolver suas medidas de controle, conte com o Engeman® para gerir seu calendário de manutenção. Defina diferentes procedimentos e checklists para realizar as manutenções e assim, previna acidentes decorrentes da falta de manutenção e acidentes decorrentes de realizar as atividades de manutenção. 

Conclusão

A realização da Análise Preliminar de Riscos (APR) é uma etapa fundamental para promover um ambiente de trabalho mais seguro, fortalecer a confiabilidade das operações e proteger os recursos da empresa. 

Além de contribuir para o cumprimento das diretrizes de segurança, a APR permite uma atuação preventiva, possibilitando a identificação e o controle dos riscos antes que se transformem em incidentes.

Sua implementação requer uma visão integrada por parte da gestão, considerando os processos, as pessoas e os ativos envolvidos, bem como a participação ativa das diferentes áreas da organização. 

Nesse contexto, a APR fortalece a integração entre os times de operação, manutenção e segurança do trabalho, incentivando a comunicação, a responsabilidade compartilhada e a tomada de decisões mais seguras.

Dessa forma, mais do que uma exigência operacional, a Análise Preliminar de Riscos torna-se uma ferramenta estratégica para a prevenção de acidentes, a preservação da integridade dos colaboradores e a consolidação de uma cultura organizacional mais segura, consciente e sustentável. 

Fale conosco e agende uma demo para otimizar seus processos de segurança na manutenção!

Perguntas frequentes sobre o tema
O que é Análise Preliminar de Risco (APR)?

A Análise Preliminar de Risco é um procedimento de segurança utilizado para identificar perigos, avaliar riscos e definir medidas preventivas antes da execução de uma atividade. Seu objetivo é evitar acidentes, proteger trabalhadores e garantir que as operações ocorram de forma segura e controlada.

Para que serve a APR na manutenção?

Na manutenção, a APR serve para antecipar falhas, identificar condições inseguras e estabelecer controles que reduzam a probabilidade de acidentes durante intervenções em equipamentos, estruturas ou sistemas industriais. Isso contribui para diminuir afastamentos, custos operacionais e paradas não planejadas.

A APR é obrigatória por lei?

A obrigatoriedade da APR está relacionada ao cumprimento das Normas Regulamentadoras de segurança do trabalho. Diversas NRs exigem análise de riscos antes da execução de atividades perigosas, o que torna a APR uma prática essencial para conformidade legal e prevenção de penalidades.

Quem deve elaborar a Análise Preliminar de Risco?

A APR deve ser elaborada por profissionais capacitados em segurança do trabalho, com participação do SESMT, CIPA, supervisores operacionais e equipes de manutenção. Essa atuação conjunta garante identificação adequada dos riscos e definição eficaz de medidas preventivas.

Quais são as etapas de uma APR?

Uma APR envolve levantamento das atividades, coleta de dados operacionais, identificação dos riscos, avaliação da probabilidade de ocorrência, definição de medidas de controle, documentação das ações e revisão periódica do processo para melhoria contínua da segurança.

Qual a diferença entre APR e análise de risco tradicional?

A APR é realizada antes da execução da atividade, com foco preventivo e operacional. Já outras análises de risco podem ocorrer em níveis estratégicos ou após incidentes. Por isso, a APR é considerada uma das ferramentas mais práticas e imediatas de prevenção de acidentes.

Como um software de manutenção ajuda na APR?

Um software de manutenção permite registrar riscos, controlar EPIs, documentar procedimentos, acompanhar histórico de falhas e monitorar indicadores de segurança. Isso facilita a aplicação da APR, aumenta a rastreabilidade das ações preventivas e fortalece a gestão de segurança operacional.

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