Classificação e Nível de Criticidade na Manutenção: entenda a diferença e como aplicar na prática  

Na rotina da manutenção existem vários termos, conceitos e ferramentas para auxiliar na tomada de decisão e na melhoria contínua dos processos. Confundir esses conceitos é comum, já que muitos possuem significados e objetivos parecidos.

Por isso, é essencial saber diferenciá-los para tomar decisões mais assertivas, como definir o que atender primeiro, onde investir recursos e quais riscos podem ou não ser assumidos. Quando não existe uma priorização clara, as decisões acabam sendo baseadas em urgências momentâneas, o que pode gerar retrabalhos, custos elevados e aumento de riscos.

Nesse contexto, o conceito de criticidade se destaca como uma ferramenta essencial para apoiar a tomada de decisão e garantir a devida importância e o cuidado que cada ativo exige. No entanto, é comum confundir os termos classificação de criticidade e nível de criticidade, que representam etapas diferentes da análise.

Neste artigo, vamos esclarecer de forma simples e prática a diferença entre esses dois conceitos, mostrando como analisar os ativos e como aplicar a criticidade na prática.

O que é classificação de criticidade na manutenção?

A classificação de criticidade é o processo, ou seja, fazer toda uma ação e trabalho para analisar e comparar os ativos de uma indústria conforme o impacto que eles podem causar. Seu objetivo é identificar quais são os mais críticos para a operação e que precisam de maior atenção da manutenção.

De forma mais prática, a classificação de criticidade compara os ativos existentes, identifica os riscos que eles representam e traz esse conhecimento de forma explícita para apoiar a tomada de decisões mais assertivas. Esse trabalho é realizado por etapas e de forma cuidadosa.

Critérios para classificar criticidade de ativos

Para realizar a análise da classificação de criticidade, é necessário seguir um processo estruturado que ajude a chegar a um resultado mais correto. Esse processo pode envolver alguns critérios, como:

  • Segurança: riscos de acidentes, ferimentos ou fatalidades em caso de falha; 
  • Produção e operação: impacto na continuidade do processo através de paradas não planejadas; 
  • Meio ambiente: possibilidade de vazamentos ou outros comportamentos que causem danos ambientais;
  • Custos: podem envolver custos do próprio reparo, perda lucrativa de produção com as paradas etc.; 
  • Qualidade: é o próprio impacto direto ou indireto na qualidade do produto ou serviço entregue. 

Focando em fazer um processo de classificação usando esses critérios como base de seguimento, fica mais fácil de trabalhar com ações para chegar aos resultados reais.
Claro que existem ferramentas para ajudar a montar um cronograma de trabalho e definir as ações certas. Vejamos a seguir!

Ferramentas para classificação de criticidade na manutenção

A classificação é toda a ação que envolve o processo de classificar ativos menos ou mais importantes, para poder chegar a um resultado que informará com maior clareza a criticidade de tais equipamentos.

Mas fazer este processo requer conhecimento, e ainda bem que temos várias ferramentas conceituais para ajudar neste fluxo de trabalho. A lista pode variar conforme a complexidade de análise em sua empresa, mas listamos aqui apenas algumas:

  • Matriz de risco: a matriz de riscos é uma ferramenta usada para identificar, avaliar e priorizar riscos em um projeto, processo ou atividade de modo mais abrangente e geral. Ela cruza a probabilidade de falha ou risco com o impacto das consequências; 
  • Matriz de criticidade: muito parecida com a matriz de riscos, porém aqui ela é mais focada em identificar a criticidade de ativos específicos. Também leva em consideração a probabilidade de ocorrência e o impacto de uma determinada falha ou situação, mas segue parâmetros voltados a impactos causados diretamente pelos equipamentos como:
    • segurança e meio ambiente;
    • qualidade e produtividade; 
    • taxa de ocupação; 
    • oportunidade de produção; 
    • frequência de quebra; 
    • manutenibilidade.
  • Curva ABC: embora seja um método mais utilizado para gestão de estoque, que ajuda a classificar os itens com base na sua prioridade, ela traz impacto diretamente na manutenção. A Curva ABC não substitui a análise de criticidade de ativos, mas complementa decisões sobre estoque e reposição de peças críticas. Isso porque ajudará justamente a priorizar os custos e o controle de materiais mais críticos usados para reparos nos equipamentos..

A curva ABC ajuda no processo de identificação em três diferentes categorias, A, B e C, sendo elas:

  • A: itens mais críticos que são normalmente identificados por uma quantia aproximada de 20% do que você possui em relação à quantia total destes itens, mas são responsáveis por 80% dos resultados referentes àquilo que eles representam. 
  • B: são os itens de importância média, e que se seguirmos a mesma linha de raciocínio da categoria A, vão representar uma fatia de 30% dos itens, que causam 15% de resultado; 
  • C: aqui temos os itens menos importantes, que representam uma fatia de 50% dos itens, mas que causam apenas 5% de resultado. 

Usar as ferramentas certas para fazer um processo de classificação de criticidade assertivo ajuda diretamente na gestão de manutenção, pois saber os ativos que necessitam de mais cuidado é crucial para definir toda a programação que eles sofrerão. 

Assim, uma classificação bem estruturada traz benefícios diretos para a gestão da manutenção, como melhor planejamento e, consequentemente, alcance de resultados. 

O que é nível de criticidade de ativos? 

O nível de criticidade é o resultado final obtido por meio do trabalho da classificação. Ele funciona como um indicador claro e padronizado, que informa o grau de importância de um ativo para toda a empresa, a partir do impacto que ele pode causar caso venha a falhar.

Dessa forma, podemos entender que o nível de criticidade de um equipamento é definido e representado por:

  • Impacto da falha do ativo;
  • Risco associado à sua indisponibilidade;
  • Atenção que a manutenção deve dedicar a esse equipamento. 

Como definir níveis de criticidade (A, B e C)?

Os níveis são identificados por três categorias, A, B e C. Lembra da matriz de criticidade que citamos no tópico anterior? Então, ela será bem útil para ajudar a determinar o nível de criticidade dos ativos.

Com base nos parâmetros que ela traz, os níveis seguem a seguinte estrutura:

  • A (criticidade máxima): são os equipamentos mais críticos, que precisam de maior atenção na manutenção. Muitas vezes é necessário exercer uma análise de falhas mais detalhada, fazendo o uso da metodologia FMEA e contando com equipes dedicadas à melhoria contínua. Além disso, são equipamentos que apresentam risco à segurança em caso de falha;
  • B (criticidade média): não deixam de ser equipamentos importantes, mas podem ser considerados de prioridade média. Ainda assim, a manutenção não pode deixar de ser feita, pois falhas podem causar problemas consideráveis, mas que não são tão críticos para a empresa;
  • C (criticidade baixa): são os equipamentos com menor importância, em que, caso haja falha, o impacto não será tão considerável e nem irá atrapalhar de forma drástica as atividades da empresa. Em muitos casos, a manutenção corretiva planejada é uma boa alternativa para esse tipo de equipamento.

Claro que, além da matriz de criticidade, você pode usar outras ferramentas para analisar a capacidade de falha potencial do equipamento e o seu impacto.

Como o nível de criticidade orienta as decisões da manutenção?

Depois de definido o resultado do nível de criticidade, ele irá orientar diretamente as decisões da manutenção no dia a dia e no planejamento. Conforme os resultados, você conseguirá tomar decisões mais assertivas em pontos específicos da manutenção, como por exemplo:

  • Prioridade de atendimento: ativos de criticidade nível A devem ter prioridade nas realizações das Ordens de Serviço. Além disso, deve ser realizada uma programação mais detalhada para evitar as manutenções corretivas. 
  • Alocação de recursos:  a depender de cada nível, você deverá contar sempre com uma equipe especializada, em muitos casos com qualificações específicas, e manter disponibilidade de materiais para a execução da manutenção em casos de urgência. Com os níveis bem definidos, você já saberá quais materiais deverá ter sempre à disposição e qual equipe deverá direcionar para a manutenção de cada equipamento;
  • Frequência e estratégia de manutenção: equipamentos definidos como mais críticos devem ser observados e monitorados com maior frequência. Adote soluções como sensores de medição e softwares CMMS para monitorar o comportamento desses ativos de forma minuciosa e, a partir disso, investir em manutenção preditiva.

Classificação x nível de criticidade: qual a diferença na prática?

Agora que já vimos cada conceito de forma separada, fica fácil entender a diferença entre eles.

  • Classificação de criticidade = processo
  • Nível de criticidade = resultado 

Ou seja, classificar é todo o trabalho envolvendo o processo de análise, e definir o nível é tomar a decisão de distribuição dos níveis existentes a partir desse trabalho. Vamos entender melhor de forma prática:

Classificação de criticidade

  • Analisa os ativos com base em critérios definidos;
  • Compara equipamentos entre si através de um mapeamento; 
  • Avalia impacto e probabilidade. 

Nível de criticidade:

  • Traduz a análise em um indicador claro; 
  • Representa a importância do ativo;
  • Facilita comunicação e priorização. 

Viu só como, olhando dessa forma, fica fácil entender? Então vamos facilitando mais ainda com base em mais informações no quadro comparativo abaixo:

quadro comparativo Classificação x nível de criticidade
Quadro comparativo Classificação x Nível de Criticidade

Mesmo com os conceitos claros, alguns erros são comuns na hora da prática, tanto em relação às diferenças entre os dois conceitos quanto em relação ao entendimento de cada um de forma individual. 

Erros comuns na análise de criticidade

Erros de interpretação podem levar a erros práticos, pois se não houver o entendimento claro da ferramenta, a sua execução não será bem-sucedida. Durante o processo de interpretação, identificação e conclusão, o que não poderia, mas acontece muito, é: 

  • Interpretar o nível de criticidade como se fosse a classificação: quando isso acontece, todo o processo de classificação é abandonado e o foco fica apenas em apontar o nível de criticidade de forma aleatória, baseada em feelings, pulando a etapa da classificação e todo o trabalho que ela envolve;
  • Definir criticidade apenas pelo custo do equipamento: sabemos que equipamentos com custo alto devem ter, sim, uma atenção maior pelo valor do investimento que houve, mas um ativo barato pode ser altamente crítico se sua falha gerar riscos à segurança, impacto ambiental ou parada total da operação;
  • Usar histórico de falhas como único critério: além da frequência, não se esqueça de que o impacto da falha deve ser muito bem analisado. Baixa frequência de falhas não significa baixa criticidade. Algumas falhas são raras, mas com consequências bem graves.

Boas práticas para a classificação de criticidade

Para que você não venha a cometer erros, adote boas práticas que vão ajudar tanto na hora de exercer o trabalho de classificação quanto na hora de deixar bem claro e explícito o nível definido. Como por exemplo:

  • Defina as ferramentas para aplicação da classificação de criticidade; 
  • Documente o método utilizado; 
  • Depois da análise, registre o nível de criticidade de forma clara; 
  • Padronize a linguagem entre os sistemas e invista em treinamentos para toda a equipe. 

Depois de entender todo o conceito e processo de cada ferramenta, o foco passa a ser a execução. Se ela for feita de forma cuidadosa, com o uso de ferramentas auxiliares para ajudar nesse contexto, o resultado tende a ser positivo e proveitoso. 

Ferramentas essas que podem trazer mais automatização nos processos de manutenção, facilitando a vida de toda a equipe operacional, como um software CMMS.

Como aplicar criticidade no CMMS Engeman®

O Engeman® é o software CMMS ideal para fazer o controle dos seus ativos por criticidade e mais do que isso, para ajudar tanto na classificação quanto na identificação do nível.

Vamos entender melhor abaixo, por meio de algumas funcionalidades que o Engeman® oferece:

Cadastro de ativos

Nos cadastros dos ativos registrados no Engeman®, você consegue associar qual o nível de criticidade a que ele pertence, mediante alguns comportamentos e danos que podem ser causados por ele, caso apresente alguma falha.

O Engeman® seguirá as configurações de critérios usando os parâmetros da matriz de criticidade alinhados às boas práticas de gestão de ativos da ISO 55001. 

Assim, com essa definição, organização e identificação feitas pelo próprio cadastro do equipamento, ficará muito mais fácil distribuir os tipos e planos de manutenção que cada um precisa receber.

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Tela de Classificação de Criticidade do Engeman®

KPIs e Relatórios

O uso de relatórios e indicadores é essencial para ajudar a fazer o trabalho de classificação, afinal, você precisa de dados para fazer todo o mapeamento do comportamento dos ativos por meio das falhas, MTBF, MTTR e outros.

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Relatório de Análise de Ocorrências do Engeman®

Gráfico de Indicadores da Manutenção Engeman®
Gráfico de Indicadores da Manutenção Engeman®

Uso dos níveis em O.S.

Ao associar o cadastro de um equipamento a uma O.S., você consegue priorizar essa O.S. pela criticidade definida no cadastro do equipamento.

Inclusive, com o uso do Mobile, você já define pela própria tela de O.S. se quer visualizá-las pela criticidade desses equipamentos, para assim dar uma maior importância às O.S. de ativos mais críticos.

Conclusão

Conseguimos entender neste artigo que a classificação de criticidade cumpre o papel de analisar os ativos de forma técnica, considerando riscos e impactos, enquanto o nível de criticidade traduz essa análise em uma informação clara, que orienta decisões, prioridades e alocação de recursos no dia a dia.

Quando esses conceitos são bem compreendidos e corretamente aplicados, a manutenção deixa de ser reativa e passa a atuar de forma estratégica, principalmente com o uso de um sistema CMMS como o Engeman®.

Para saber mais sobre o assunto, agende uma demonstração com a nossa equipe. Esperamos por você!

Perguntas frequentes sobre o tema
Qual a diferença entre classificação e nível de criticidade?

Classificação de criticidade é o processo de análise dos ativos, enquanto o nível de criticidade é o resultado dessa análise, indicando o grau de importância do equipamento.

O que é criticidade na manutenção?

Criticidade na manutenção é a análise do impacto e do risco que a falha de um ativo pode causar na operação, segurança, custos e produção.

Como definir níveis de criticidade A, B e C?

Os níveis A, B e C são definidos com base no impacto e na probabilidade de falha, sendo A o mais crítico, B médio e C o menos crítico.

A Curva ABC substitui a análise de criticidade?

Não. A Curva ABC ajuda na priorização de estoques e custos, mas não substitui a análise técnica da criticidade de ativos.

Como aplicar criticidade na manutenção na prática?

É possível aplicar criticidade usando matrizes de risco, critérios técnicos e sistemas CMMS para priorizar ativos e planejar a manutenção.

Qual a importância da criticidade na manutenção?

A criticidade ajuda a priorizar recursos, reduzir riscos operacionais e tornar a manutenção mais estratégica.

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