Sistema de gestão de manutenção com controle de estoque: 12 critérios para avaliar

Existe um paradoxo que quase toda indústria vive e poucas conseguem explicar: o almoxarifado está cheio e, ainda assim, falta justamente a peça que parou a linha. Os dois problemas convivem porque nascem da mesma causa, que é a desconexão entre o que a manutenção planeja e o que o estoque enxerga.

Quando o sistema de manutenção e o controle de estoque são ilhas separadas, a reserva de peça não existe de verdade, a baixa acontece dias depois da execução, o custo por equipamento nunca fecha e o comprador decide reposição olhando apenas o consumo histórico, sem saber quais preventivas estão programadas para o mês seguinte.

Um controle de estoque de peças de reposição que funciona precisa estar dentro do mesmo sistema que gera a ordem de serviço, e não apenas integrado a ele por planilha ou importação noturna. Este conteúdo reúne os doze critérios que separam uma ferramenta realmente integrada de uma que apenas tem uma tela chamada estoque, com as perguntas que você pode levar para a demonstração e com o detalhamento de como o Engeman® resolve cada ponto, usando o nome real dos recursos.

Confira um resumo do que você vai encontrar por aqui:

  • Por que o estoque de manutenção é diferente: o que um sistema genérico de materiais não consegue controlar em peça de reposição.
  • Os 12 critérios de avaliação: a tabela que você pode levar para a reunião de escolha de fornecedor.
  • Como avaliar na prática cada frente: vínculo entre peça e ativo, baixa automática, reposição e custo por equipamento.
  • Como comparar fornecedores: a matriz de perguntas e sinais de alerta para usar durante as demonstrações.
  • Os erros mais comuns na escolha: as decisões que mais geram retrabalho depois da implantação.

Por que o estoque de manutenção não funciona dentro de um sistema genérico?

Porque a peça de reposição tem um comportamento econômico diferente de qualquer outro item de estoque: ela existe para não ser usada. Um insumo de produção gira rápido e o indicador que importa é o giro. Já um rolamento de um ativo crítico pode ficar três anos parado na prateleira e ainda assim ser a compra mais rentável que a empresa fez, porque evitou uma parada não programada.

Essa diferença quebra a lógica de qualquer controle genérico. O ERP (Enterprise Resource Planning) olha para o consumo passado e sugere redução do que não gira, enquanto a manutenção precisa olhar para a criticidade do ativo e para a programação futura. Em um sistema de gestão de manutenção, essas duas visões precisam conversar dentro da mesma base.

Além disso, existe uma exigência que o estoque comum não tem: a rastreabilidade do consumo até o ativo. Saber que saíram doze rolamentos no mês não ajuda ninguém. Saber que sete deles foram no mesmo redutor é o dado que inicia uma análise de causa raiz. Esse é o assunto tratado em profundidade quando falamos de MRO, a sigla de manutenção, reparo e operação.

AspectoEstoque em planilha separadaEstoque integrado ao CMMS
Disponibilidade de peças para preventivasConferida manualmente, muitas vezes no dia da execuçãoConfrontada no planejamento, com saldo comprometido por transação de reserva
Custo de manutenção por ativoCalculado de forma aproximada ou não calculadoApurado automaticamente a partir das baixas registradas na O.S.
Solicitação de compraDisparada quando alguém percebe a falta do itemOrientada por alarme de estoque mínimo e por relatório de ressuprimento
Rastreabilidade das movimentaçõesDependente de quem preencheu a planilha e de quando preencheuRegistrada com data, usuário, O.S. e ativo de destino
Revisão de estoque mínimoBaseada em percepção da equipeBaseada no histórico de consumo e na criticidade do equipamento

Um erro comum é avaliar o módulo de estoque de um CMMS perguntando se ele “tem controle de entrada e saída”. Praticamente todos têm. A pergunta que separa as ferramentas é o que acontece com o saldo entre o momento em que a O.S. é programada e o momento em que o técnico executa o serviço.

Controlar estoque de manutenção não significa apenas evitar a falta de peças. O excesso de sobressalentes também representa capital imobilizado, risco de obsolescência e espaço físico ocupado. Por isso, o sistema escolhido precisa ajudar a equilibrar os dois lados.

Os 12 critérios para avaliar um sistema com estoque integrado

Tabela 1. Critérios de avaliação e cobertura no Engeman®

#CritérioO que exigirComo o Engeman® atende
1Vincular peça ao equipamentoRelação entre ativo e materiais esperadosMapeamento de Material, com controle de vida útil e garantia
2Baixa automática na O.S.Consumo registrado no fechamento, sem digitação paralelaGerar Requisição no fechamento da O.S., usando as transações padrão
3Compromisso de saldo antes da execuçãoPeça separada para a demanda certaTransações de Reserva e Bloqueio, que comprometem o saldo disponível sem retirar a peça fisicamente
4Estoque mínimo, máximo e reposiçãoParâmetros por item, com alerta e cálculo de quanto reporAlarme nativo de saldo abaixo do mínimo, filtrado por usuário, e relatório de ressuprimento com três critérios de cálculo
5Múltiplos almoxarifadosControle por empresa e filialAlmoxarifado por filial, com três modalidades de transferência
6Entradas, saídas e inventárioToda origem de movimentação rastreadaMovimentações por Transferência, O.S., Nivelamento, Viagem, Requisição, Entrada e Inventário
7Requisição a partir da manutençãoSolicitação originada pela necessidade realSolicitação de Materiais com múltiplos itens e efetivação parcial
8Cadastro estruturadoAgrupamento, classe e relação com fornecedorGrupo de Materiais, Classe de Materiais e consistência por fornecedor
9Custo por equipamento e por O.S.Consumo valorizado no ativoMovimentação reflete automaticamente no custo e no consumo da O.S.
10Código de barras e QR CodeIdentificação física no almoxarifadoRelatórios de QR Code de materiais, aplicações, localizações e funcionários
11Integração com outros sistemasCaminho claro de troca de dados e extensibilidadeMotor de Regras para lógica própria em qualquer evento, sem alterar o núcleo, e consumo direto dos dados por ferramentas externas
12Aplicativo para o técnicoRequisição e apontamento no campoMódulo Mobile com funcionamento offline

Como avaliar o vínculo entre peça e equipamento

A primeira pergunta é se o sistema sabe quais peças pertencem a quais ativos antes de a falha acontecer. Sem esse vínculo, toda requisição depende da memória do técnico mais antigo da equipe.

O Engeman® trabalha isso em três camadas complementares. O Mapeamento de Material estabelece o vínculo entre a aplicação e o grupo de materiais esperado, e esse mapeamento é usado tanto para consistência no registro de serviço quanto para o controle de vida útil e garantia por ponto de controle. Na prática, o sistema consegue avisar quando um material registrado não pertence ao grupo esperado daquele equipamento.

A segunda camada é o Kit de Materiais, que funciona como receita reutilizável. Ao informar o kit em uma requisição, no planejamento ou no plano de manutenção, o sistema multiplica automaticamente todos os itens pela quantidade de kits informada. Vale conhecer um comportamento importante: a relação entre requisição e kit não é gravada, portanto, alterar a composição do kit depois não retroage em documentos já emitidos.

A terceira camada é os Materiais Adicionais do Plano, que são copiados para o registro de serviços a cada geração de O.S. Isso preserva o histórico mesmo quando o plano muda, ou seja, uma ordem gerada em março mantém a composição de materiais vigente em março, e não a atual.

Vale ainda verificar se o sistema permite classificar os itens pelo valor de consumo, conforme a lógica da curva ABC, combinada com a análise de criticidade do equipamento atendido. Uma peça barata pode ser indispensável para manter um ativo crítico operando, e só a combinação das duas visões mostra isso.

Como avaliar a baixa automática durante a execução

Aqui está o critério que mais revela a maturidade de um sistema. A pergunta não é se o sistema dá baixa, e sim o que acontece com o saldo entre a programação e a execução.

Reserva e bloqueio, não apenas saldo

No regime de Estoque Avançado, o Engeman® trabalha com transações tipadas que declaram exatamente qual campo de saldo cada movimentação afeta:

Tipo de transaçãoCampo atualizado
FísicoSaldo, e consequentemente o saldo disponível
ReservaQuantidade Reservada, e consequentemente o saldo disponível
BloqueioQuantidade Bloqueada, e consequentemente o saldo disponível
Físico com ReservaSaldo e Quantidade Reservada, mantendo o saldo disponível inalterado
Físico com BloqueioSaldo e Quantidade Bloqueada, mantendo o saldo disponível inalterado

A fórmula que sustenta tudo isso é direta: saldo disponível é o saldo físico menos a soma do reservado com o bloqueado. É essa separação que permite ao planejador de manutenção ver o que realmente pode consumir, e não o que está fisicamente na prateleira comprometido com outra demanda.

Cada tipo de transação também declara o Tipo de Movimentação, entre Entrada, Saída e Direto, e o sistema registra a origem de cada movimentação, que pode ser Transferência, Ordem de Serviço, Nivelamento, Viagem, Requisição e Devolução, Lançamento de Entrada ou Inventário.

Complementando esse controle, a rotina de Nivelamento de Recursos confronta a programação de manutenção com a disponibilidade real de mão de obra, materiais e orçamento, podendo reprogramar a ordem de serviço quando identifica que o recurso não estará disponível na data prevista.

Baixa no fechamento da ordem de serviço

Ao fechar a ordem de serviço, o Engeman® oferece a função Gerar Requisição, que utiliza diretamente as transações padrão configuradas no módulo de materiais. Dessa forma, o consumo é registrado no mesmo ato do encerramento do serviço, sem exigir que alguém abra outra tela depois para baixar a peça.

Essa é exatamente a dor que a Yazaki Corporation descreve no case publicado. Segundo Alessandro Santos, Líder de Manutenção da empresa, “as requisições para o estoque eram feitas manualmente e então com o Engeman® nós conseguimos fazer uma customização para uma abertura de requisição automática”. O resultado do conjunto de melhorias aparece em outra fala do mesmo case: “conseguimos diminuir peças e lotes de peças obsoletas nos estoques das filiais evitando descartes por vencimento de lotes”. O relato completo está no case de otimização de estoque da Yazaki.

No regime avançado, nenhum saldo muda sem uma movimentação rastreável. Documentos ficam pendentes até a efetivação, e depois dela não podem mais ser editados nem excluídos. Correções acontecem por nova movimentação, nunca por edição direta de campo, o que é justamente o que sustenta a auditoria.

Como avaliar reposição, almoxarifados e requisição

Alarme de estoque mínimo e cálculo de reposição

Definir estoque mínimo é fácil. O que separa as ferramentas é o que acontece quando o saldo chega lá.

O Engeman® possui um alarme nativo de materiais com saldo abaixo do estoque mínimo, com três estados possíveis de configuração: não alarmar, alarmar quando o saldo fica abaixo do mínimo, ou alarmar quando o saldo atinge o mínimo. O ponto mais útil é que esse alarme é filtrado por usuário, permitindo que cada pessoa seja avisada apenas sobre os almoxarifados, as classes ou os grupos de materiais que estão sob sua responsabilidade, em vez de receber uma lista geral que ninguém lê.

Existe também um relatório de ressuprimento que levanta todos os materiais com saldo abaixo do mínimo, agrupados por filial e por almoxarifado, e calcula a quantidade a repor por três critérios distintos:

  • Considerar somente o estoque máximo, quando a quantidade a repor é igual ao próprio estoque máximo.
  • Considerar o saldo atual, quando a quantidade a repor é o estoque máximo menos o que já existe fisicamente.
  • Considerar solicitação de material, quando a quantidade a repor é o estoque máximo menos o que já está em solicitações abertas e ainda não atendidas.

Esse terceiro critério merece atenção, porque é ele que evita a compra duplicada. Em operações com várias pessoas autorizadas a solicitar material, é bastante comum o mesmo item ser pedido duas vezes simplesmente porque ninguém enxergava a requisição em aberto do colega.

O cadastro de materiais também registra o tempo de ressuprimento em dias, o que permite considerar o prazo de entrega de cada fornecedor no dimensionamento do estoque de segurança, e não apenas o consumo histórico.

Múltiplos almoxarifados e transferências

O Engeman® trata o Almoxarifado como unidade de armazenamento vinculada a empresa e filial, e o material precisa estar relacionado ao estoque daquele almoxarifado antes de qualquer requisição ou entrada. Existem três modalidades de transferência, cada uma com regra própria:

  • Entre almoxarifados da mesma filial, com consistência de que ambos pertençam à mesma unidade.
  • Entre almoxarifados de filiais diferentes, com os materiais informados manualmente.
  • Entre filiais, quando todo o almoxarifado migra e o de origem deixa de ficar visível após a efetivação.

Há ainda o Lançamento de NF, que permite lançar uma única nota para vários almoxarifados, gerando automaticamente um lançamento de entrada para cada um deles. Para operações com várias plantas, isso elimina o retrabalho de rateio manual.

O Fechamento de Estoque consolida por filial as movimentações de um mês e ano, agrupando materiais, quantidades e custos. Vale planejar correções antes do fechamento, porque transferências e lançamentos retroativos a um período fechado são bloqueados.

Requisição e atendimento parcial

A tela de Solicitação de Materiais permite lançar múltiplos materiais em uma única solicitação. Quando a opção de efetivação parcial está ativa, o sistema habilita os campos de Quantidade Atendida, Quantidade Pendente e Status, e as requisições incompletas são finalizadas automaticamente no fechamento mensal do estoque.

Existe também um recurso prático de priorização: quando um item possui solicitações em aberto, um duplo clique no grid abre a tela de priorização, que por padrão atende a solicitação mais antiga primeiro. Isso evita que a peça disponível seja consumida por quem pediu por último simplesmente porque estava mais perto do almoxarifado.

Para quem precisa estruturar essa rotina do zero, vale combinar este conteúdo com o artigo sobre inventário de estoque.

Como avaliar custo por ativo e identificação física

Política de precificação

O custo de manutenção por equipamento só fecha quando o material é valorizado por um critério consistente. No Engeman®, isso é definido pela Classe de Materiais, que combina Tipo de Atualização, entre Automática e Manual, com Tipo de Cálculo, entre Último Lançamento e Média Ponderada.

O próprio manual traz um exemplo que ilustra bem a diferença. Em uma compra de 50 peças a R$ 80,00 seguida de outra de 25 peças a R$ 100,00, o critério de Último Lançamento resulta em custo unitário de R$ 100,00, enquanto a Média Ponderada resulta em R$ 86,67, calculada pela divisão de R$ 6.500,00 por 75 unidades.

Essa escolha não é detalhe contábil. Ela muda diretamente o custo de manutenção apurado por ativo e, consequentemente, as decisões de substituição de equipamento. Materiais sem Classe vinculada sempre seguem o Último Lançamento.

Identificação no almoxarifado

O Engeman® disponibiliza relatórios prontos de QR Code, incluindo a listagem de QR Code dos materiais, das aplicações, das localizações das aplicações e dos funcionários. O Report Designer também permite inserir elementos de código de barras vinculados a um campo ou texto fixo, com tipo de codificação selecionável. Na prática, isso viabiliza etiquetar prateleira, item e equipamento com o mesmo padrão de leitura, assunto que aprofundamos no artigo sobre QR Code na manutenção.

Integração com outros sistemas

A integração entre manutenção e ERP costuma ser decisiva em dois pontos: a baixa de material precisa refletir no controle patrimonial e fiscal, e o custo real por ativo precisa reunir mão de obra, material e serviço contratado.

No Engeman®, essa conexão acontece por duas vias. A primeira é o Motor de Regras, que permite disparar lógica própria a partir de qualquer evento de qualquer tela, incluindo consistências e automações específicas, sem alterar o núcleo do sistema. A segunda é o consumo direto dos dados por ferramentas externas, caminho que a Atakarejo descreve ao falar da integração com o ambiente de BI da rede: “a qualidade da API e da documentação facilitou significativamente nosso processo de integração”.

A P.A. Gold é um exemplo do cenário oposto já resolvido, tendo chegado ao Engeman® justamente com a dor de sistemas desintegrados entre ERP, almoxarifado e RH. O resultado está descrito no case de integração entre sistemas da P.A. Gold.

Como comparar fornecedores usando esses critérios na prática

A forma mais segura de comparar fornecedores é transformar cada critério em uma pergunta objetiva e registrar as respostas em uma mesma matriz. Com isso, a decisão deixa de depender da impressão causada pela apresentação e passa a se apoiar em evidências observadas durante a demonstração.

CritérioPergunta para o fornecedorSinal de alerta
Integração O.S. e estoqueA baixa de material é feita dentro da própria O.S.?Necessidade de lançar o consumo em outra tela ou sistema
Peças por ativoÉ possível vincular sobressalentes a cada equipamento da árvore?Cadastro de materiais sem nenhuma relação com os ativos
Alerta de mínimoO alarme pode ser filtrado por almoxarifado ou grupo, por usuário?Lista geral enviada a todos, que ninguém acompanha
Cálculo de reposiçãoO sistema calcula quanto repor descontando solicitações já abertas?Sugestão de compra que ignora requisições em andamento
Prazo de entregaO cadastro registra o tempo de ressuprimento de cada item?Estoque mínimo definido sem considerar lead time
Compromisso de saldoO saldo disponível desconta o que está reservado e bloqueado?Sistema que mostra apenas saldo físico
RastreabilidadeCada movimentação registra usuário, data, O.S. e motivo?Ajustes de saldo sem justificativa registrada
Criticidade e curva ABCOs itens podem ser classificados por valor e por criticidade?Classificação fixa, sem possibilidade de ajuste
IntegraçãoComo o sistema troca dados com ERP e BI?Integração descrita apenas como possibilidade futura
Custo por ativoO relatório consolida material e mão de obra por equipamento?Custo disponível apenas por exportação manual para planilha
MobilidadeO aplicativo registra consumo de peças sem internet?Aplicativo que funciona apenas conectado
Implantação e suporteComo funcionam o treinamento e o suporte depois da entrada em produção?Suporte restrito a abertura de chamados, sem acompanhamento

Antes das demonstrações, separe uma lista com 20 a 30 itens reais do seu almoxarifado, incluindo peças críticas e itens de alto consumo. Em seguida, peça a cada fornecedor que simule o ciclo completo desses materiais, do cadastro à baixa na O.S., para comparar as soluções em condições equivalentes.

Atribua pesos aos critérios de acordo com a realidade da sua operação. Uma planta com muitos ativos críticos e fornecedores distantes tende a valorizar mais o cálculo de reposição e o prazo de entrega, enquanto uma operação com várias unidades costuma priorizar almoxarifados múltiplos e mobilidade.

Quais são os erros mais comuns ao escolher um software com controle de estoque?

Os erros mais frequentes surgem quando a escolha é feita sem envolver todas as áreas afetadas ou quando a decisão se baseia apenas no preço da licença. Em geral, esses equívocos só aparecem meses depois da implantação, quando o custo de corrigi-los já é bem maior.

  • Decidir sem ouvir o almoxarifado e compras. A manutenção avalia o sistema pela ótica da O.S. e descobre, depois da contratação, que o fluxo de materiais não atende quem opera o estoque.
  • Migrar o cadastro de materiais sem saneamento. Itens duplicados, descrições genéricas e códigos inconsistentes são levados para o novo sistema e comprometem relatórios desde o primeiro mês.
  • Ignorar a operação em campo. Quando o técnico não consegue registrar o consumo no local da intervenção, a baixa passa a ser feita de memória, o que reduz a confiabilidade do custo por ativo.
  • Subestimar o treinamento. A equipe continua usando a planilha antiga em paralelo porque não confia no sistema novo ou não sabe utilizá-lo corretamente, um problema que se relaciona diretamente com os erros humanos na manutenção.
  • Deixar o estoque para depois. Tratar o controle de materiais como módulo acessório, a ser configurado quando as ordens de serviço já estiverem funcionando, gera um histórico de consumo incompleto justamente no período em que os parâmetros de estoque mínimo deveriam ser calibrados. Esse é um dos pontos que detalhamos no conteúdo sobre implantação da gestão de manutenção.

Como o Engeman® conecta manutenção e estoque

O Engeman® é um CMMS (Computerized Maintenance Management System), ou seja, um software especialista em gestão da manutenção, com mais de 30 anos de mercado. No recorte deste artigo, o diferencial não está em ter um módulo de estoque, e sim em o estoque viver dentro do mesmo ciclo da ordem de serviço.

Na prática, o percurso completo funciona assim: o plano de manutenção já carrega o kit de materiais necessário, a rotina de nivelamento de recursos confronta a programação com a disponibilidade real de materiais e pode reprogramar a O.S. quando falta peça, a transação de reserva compromete o saldo antes da execução, o técnico aponta o consumo pelo Módulo Mobile mesmo sem conexão, o fechamento da O.S. gera a requisição com a transação padrão, e o custo valorizado pela Classe de Materiais chega ao histórico do ativo. Quando algum item cruza o estoque mínimo, o alarme avisa a pessoa certa e o relatório de ressuprimento já indica quanto comprar.

É o mesmo registro percorrendo todo o caminho, o que elimina o ponto em que a maioria das operações perde confiabilidade, que é a transcrição entre dois sistemas. O ecossistema também acompanha o crescimento da empresa, por meio dos planos Starter, Lite e Pleno e dos módulos complementares.

Conclusão

Avaliar um sistema de gestão de manutenção com controle de estoque exige ir além da lista de funcionalidades. O que diferencia as ferramentas é o comportamento do saldo ao longo do ciclo: se o saldo é comprometido antes da execução, se a baixa acontece no mesmo ato do fechamento da ordem, se cada movimentação declara qual campo de saldo foi afetado e se o custo resultante chega ao histórico do equipamento.

Vale somar a isso um critério que costuma ficar de fora das avaliações: o que o sistema faz quando o item cruza o estoque mínimo. Alertar a pessoa certa e calcular a quantidade a repor descontando as solicitações já abertas é o que impede tanto a falta quanto a compra duplicada.

Da mesma forma, a escolha precisa envolver manutenção, almoxarifado e compras desde o início, com demonstrações baseadas em itens reais da operação e uma matriz de avaliação compartilhada. Quando essas condições são atendidas, o paradoxo do almoxarifado cheio com falta de peça crítica começa a se resolver sozinho, porque a reposição passa a ser decidida pela criticidade do ativo e pela programação futura, e não apenas pelo consumo passado.

Um bom CMMS com controle de estoque vincula cada peça ao ativo e à O.S., compromete o saldo antes da execução, alerta e calcula a reposição quando o item cruza o mínimo, registra todas as movimentações de forma rastreável e entrega custo por equipamento sem depender de planilhas paralelas.

Se a sua operação ainda controla peça de reposição em um sistema e manutenção em outro, o problema não está na disciplina da equipe, e sim na distância entre as duas bases. Fale com a nossa equipe e agende uma demonstração para ver como o Engeman® integra planejamento, execução e estoque dentro do mesmo ciclo, aplicado aos seus ativos e ao seu almoxarifado.

Perguntas frequentes sobre o tema
O que é controle de estoque de peças de reposição?

É a gestão dos materiais destinados a substituir componentes de equipamentos ao longo da vida útil deles, diferente do estoque de insumos de produção. A principal particularidade é econômica: a peça de reposição existe para evitar uma parada não programada, portanto pode ficar longos períodos sem movimentação e ainda assim ser estratégica. Por isso a decisão de reposição deve considerar a criticidade do ativo e a programação de manutenção, e não apenas o giro histórico do item.

Qual a diferença entre o controle de estoque de um ERP e o de um CMMS?

O controle de estoque de um ERP costuma ser pensado para materiais produtivos, revenda e fluxo fiscal. Já o CMMS trata o sobressalente pela lógica da manutenção, vinculando cada peça ao ativo, à ordem de serviço e à criticidade do equipamento atendido. Na prática, muitas empresas mantêm os dois sistemas integrados: o ERP continua responsável pela parte fiscal e financeira das compras, enquanto o CMMS orienta o planejamento, o compromisso de saldo e o consumo de materiais pela equipe de manutenção.

Todo software de manutenção tem controle de estoque?

Não necessariamente, porque algumas soluções se limitam a ordens de serviço e planos preventivos, deixando o estoque para outro sistema. Mesmo entre as que oferecem o recurso, o nível de profundidade varia bastante, desde um simples cadastro de peças até funcionalidades de reserva de saldo, alarme de mínimo e custo por ativo. Por esse motivo, os doze critérios apresentados neste artigo ajudam a diferenciar uma integração real de um cadastro apenas complementar.

O que acontece quando um item atinge o estoque mínimo?

O Engeman® possui um alarme nativo de materiais com saldo abaixo do estoque mínimo, configurável em três estados: não alarmar, alarmar abaixo do mínimo ou alarmar ao atingir o mínimo. Esse alarme pode ser filtrado por usuário, de modo que cada pessoa receba apenas o que está sob sua responsabilidade. Existe também um relatório de ressuprimento que calcula a quantidade a repor por três critérios, incluindo um que desconta as solicitações de material já abertas e ainda não atendidas, evitando compra duplicada.

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